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A ansiedade tem como objetivo preservar a vida do ser humano. Esta se torna negativa ao atuar como mecanismo de defesa neurótico que pode ser usado como resultado do medo do indivíduo de morrer ou ser abandonado. Este medo normalmente é exagerado e provém de percepções distorcidas de seu inconsciente.

A ansiedade pode ser originada de medos que, no geral, relacionam-se ao medo básico de negação da vida ou medo da morte, resultado do abandono. Ansiedade, medo, abandono e rejeições são demonstrações de vulnerabilidade ou descontrole.

Atualmente nos perguntamos: Será possível controlar o desconhecido? Como não sentir ansiedade num mundo que escapa do nosso controle? Todos nós somos ansiosos. Conseguimos nos manter num certo grau de controle até o momento em que se manifestam sintomas psicossomáticos como taquicardia, sudorese, falta de ar, agitação e até fadi-
ga que são estados que fogem ao nosso padrão normal de ser.

Sabe-se que o ser humano passa por inúmeras situações de hostilidade, de dificuldades, de tensão que causam reações de fuga, vontade de escapar, correr ou ele apresenta impulsos de atacar e combater aquilo que lhe incomoda. Estas respostas de luta ou fuga preparam o corpo para as condições de enfrentamentos ou escapadas.

Muitas vezes, a sociedade não nos permite agir por impulsividade e, ao não executarmos a ação, há um acúmulo residual de energia que acaba permanecendo e retém no nosso organismo. Nas diversas vezes em que pensamentos ansiosos são acionados, essa energia acaba sendo somatizada no corpo o que, no decorrer dos anos, pode proporcionar o surgimento do estresse ou outras enfermidades mais graves.

O estresse pode ocorrer após um grande esforço físico e trabalho exaustivo e, também, pode advir somente do esforço mental mediante o transtorno da ansiedade. Somos obcecados pelo futuro, pois nos orientamos para a realização de objetivos e, também, buscamos prever situações de risco e buscamos nos programar com nossas defesas perante estas mediante um mecanismo de prontidão, defesa e preservação. Independentemente do nosso presente, necessitamos nos concentrar no futuro e não podemos viver no passado, porém, não podemos viver no passado nem no futuro e esta postura nos distancia do tempo presente.



Temos, então, a culpa que nos remete ao passado e a ansiedade que nos faz viver no futuro. A culpa nos avisa que fizemos algo errado no passado, sempre mostrando que não somos bons o suficiente, que somos inadequados, maus ou indiferentes. A ansiedade nos faz pensar no futuro e se não nos sentimos seguros diante do porvir, ficamos em pânico. Planejamos muito e tentamos mais imaginar o que seremos no futuro do que visualizar e vivenciar o que somos hoje. Necessitamos compreender que o conceito do porvir é apenas uma idéia e não uma garantia. A ansiedade representa uma postura fora do aqui-e-agora e de que estamos sempre na mente pensando várias coisas simultaneamente. A culpa e a ansiedade são destrutivas, pois, estas atuam para nos fazer mal, impedindo-nos de evoluir, paralisando nossas ações. Devemos sim desenvolver maior centralidade no presente.

Quando vivemos no aqui-e-agora, não há tempo para sentir culpa nem ansiedade. Nada é certo, nem mesmo o futuro, e é ilusão pensar que se pode controlar tudo o que ocorre em nossas vidas. Sentir ansiedade significa imaginar algo que não desejamos e permanecer preocupados com episódios e fatos que não ocorreram. Somente quando estes ocorrem é que podemos tomar uma atitude.

O lado paradoxal é observar que o futuro se resolve se vivermos no presente concentrando-nos no aprimoramento de nossas qualidades. A culpa, por sua vez, nos remete sempre ao passado perpetuando o mau comportamento e nos aprisiona num âmbito doloroso, desmotivador em que, sim, perdemos tempo.

Relaxe, portanto, e aprenda a viver mais no momento presente e a usar a meditação e a observar as suas emoções estando no seu centro, percebendo suas cobranças exageradas, aceitando-se como é para propiciar a cura da ansiedade negativa, bem como, os sintomas psicossomá-ticos causados por esta.

Viva bem o momento presente tentando permanecer no aqui-e-agora e estando consciente do seu processo emocional, da força dos seus potenciais internos, para poder contar com eles, viver uma vida plena. Pare de querer controlar os fatos, as situações. Use sua força e energia para estabelecer metas adequadas e ações mais coerentes com suas reais necessidades de vida. Busque a ajuda de um terapeuta, invista em você, aumente seu autoconhecimento com relaxamento e meditação e viva a vida plenamente, sem ansiedade nem arrependimentos.
Ansiedade: como mantê-la sob controle!
Escrito em 25/02/2009